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FIV – Fertilização In Vitro passo a passo: o que vai acontecer comigo?

Bom, quando o tratamento indicado é a  fertilização in vitro, o que o casal deve fazer passo a passo:

  •  Comprar as medicações necessárias para o estímulo ovariano!

 

Essas medicações são chamadas gonadotrofinas! Existem várias medicações no mercado e cabe ao seu médico escolher qual a medicação é a melhor para você. Fica aqui uma dica: essas medicações, por serem hormônios e necessitarem de cuidados especiais, não são vendidas em farmácias, sendo adquiridas por meio de distribuidores. Cuidado para não ficarem tentadas a comprar medicações de outras pessoas pois como a maioria dos medicamentos devem ser refrigerados, qualquer descuido pode fazer você gastar dinheiro e a medicação não funcionar! Antes de comprar, verifique os preços de cada distribuidor, pois eles variam muito! Só adquira as medicações de distribuidores conhecidos! Não estranhe, as medicações serão entregues na sua casa! É assim que funciona! Algumas clínicas vendem a medicação diretamente para seus pacientes, mas antes de comprar não custa comparar os preços com os distribuidores, pois às vezes vale mais a pena!

  •  Ler atentamente os consentimentos informados!

 

É obrigatório o casal assinar termos de consentimento, que são documentos que explicam tudo o que  pode acontecer durante um ciclo de fertilização in vitro, taxas de cancelamento, taxas de gravidez, taxas de gestação múltipla e efeitos adversos, entre eles: perfuração de um vaso ou alça intestinal durante a aspiração dos óvulos, o que pode levar a um procedimento cirúrgico de emergência; e a síndrome de hiperestímulo ovariano, que pode ocorrer quando a resposta dos ovários às medicações (gonadotrofinas) é muito exagerada, formando mais do que 20 folículos (nome que se dá as casinhas dos óvulos que se desenvolvem nos ovários e que podemos ver ao ultrassom). Quando a resposta é exagerada, pode se cancelar o estímulo e recomeçar no mês seguinte com doses menores de gonadotrofinas, ou pode se usar uma medicação diferente que diminui o risco da síndrome, mas aí não se pode transferir embriões no mesmo ciclo. Os embriões formados serão todos congelados e transferidos em ciclos subsequentes! Se não se tomar essas providências, no caso da mulher desenvolver realmente a síndrome, ela muitas vezes tem que internar pois a barriga fica cheia de líquido (ascite), tem risco de trombose, daí ela tem que usar anticoagulante e se deve tomar cuidado com a função dos rins.

  •  Exames em dia!

 

A mulher deve estar com toda a sua rotina ginecológica em dia para posteriormente iniciar um ciclo de FIV. Colpocitologia (papanicolau), mamografia para as que têm idade superior a 40 anos, ultrassom de mama, exames de sangue etc. Além disso a ANVISA exige segundo a lei de biossegurança, que todos os casais estejam com as sorologias (HIV, Hepatite B e C, VDRL, e HTLV I e II) em dias. Estes exames tem 6 meses de validade. Além destes, a sorologia para Zika vírus é obrigatória, mas cuidado pois a validade é de somente 30 dias! Então o ideal é fazer a sorologia para Zika no início do ciclo que irá fazer a FIV!

  •  Tudo pronto para começar, só falta o ultrassom prévio!

 

Alguns dias antes da data prevista da menstruação, a mulher deve ir a clinica para fazer um ultrassom no qual se verifica se está tudo bem para iniciar o ciclo, para ver por exemplo se não surgiu nenhum cisto que impeça de começar a medicação, e também fará contar os folículos (casinhas de óvulos) antrais, que são bem pequeninos (abaixo de 10mm). A contagem de folículos antrais auxilia na definição da dose de gonadotrofina (hormônio para estimular os ovários a produzirem mais óvulos) que será  prescrita pelo médico.

  •  Entendendo as medicações e para que elas servem

 

Para um ciclo de FIV é preciso 3 tipos diferentes de medicação:

A primeira é a gonadotrofina que estimula os ovários a produzirem mais óvulos. Existem várias no mercado. Cabe ao seu médico definir qual será melhor para você. São exemplos de gonadotrofinas para estímulo ovariano – Gonal®, Menopur®, Bravelle®, Merional®, Rekovelle®, Elonva® etc….

Na sequência, se inicia a medicação que vai bloquear os hormônios produzidos pela mulher (endógenos), impedindo assim que ela ovule antes do tempo, pois se isso acontecer o médico não consegue pegar os óvulos e todo o tratamento vai por água abaixo! Essa medicações são chamadas de análogos do GnRH. Existem dois tipos de análogos; o agonista que tem que ser usado antes do estímulo ser iniciado; e existe o análogo antagonista, que iniciamos durante o estímulo dos ovários, quando os folículos atingem 14mm. O antagonista é o mais usado atualmente.

 

E por último a medicação que garante a maturação final dos óvulos. Essa medicação imita o hormônio que a mulher produz para ovular. Chamada de HCG. Ela deve ser administrada com horário exato pois 36 horas depois da aplicação, se os óvulos não forem retirados dos ovários pelo médico (procedimento conhecido como folículo aspiração), a mulher ovula, e  daí tem que começar o tratamento tudo de novo. Por isso, se estiver em tratamento, siga rigorosamente o horário das aplicações das medicações!

  • Iniciando as aplicações de hormônio.

 

No segundo dia do ciclo, a mulher inicia diariamente as aplicações de gonadotrofinas, sempre no mesmo horário. As aplicações são fáceis de fazer, embora essa parte do tratamento provoque muita ansiedade no casal, não só quanto às aplicações, pois se questionam se estão fazendo certo, mas também quanto a dúvida de como os ovários vão reagir aos medicamentos. Essa insegurança é frequente, principalmente nas pacientes de idade mais avançada, que sabem do risco dos ovários não responderem adequadamente à medicação. Após em média 5 dias de estímulo ovariano, existe a obrigatoriedade de se realizar um controle de ultrassom para avaliar a resposta dos ovários. Contamos o número de folículos e medimos um a um, pois é isso que define quanto tempo a mais de medicação será necessário, além de definirmos dose das gonadotrofinas. Quando os folículos atingirem 14 mm, iniciamos a segunda medicação chamada antagonista, que tem como função impedir que a mulher ovule a qualquer hora, ou seja, que ela ovule antes de fazermos a folículo aspiração. Se a mulher ovular antes, não conseguimos mais pegar os óvulos, pois estes saem dos ovários, e aí temos que reiniciar do zero todo o tratamento.

 

Normalmente são realizados 2 a 3 controles de ultrassom durante a estimulação ovariana. Sempre com o mesmo objetivo, contar quantos folículos estão se desenvolvendo e avaliar o tamanho deles, pois é pelo tamanho que sabemos quando os óvulos que estão dentro dos folículos estão maduros. Os folículos são considerados maduros quando atingem 18 – 20mm. Quando a maioria dos folículos chegar a este tamanho, se indica a aplicação da última medicação, o HCG ou corifolitropina. A aplicação deve ser no horário exato, pois a folículo aspiração deve ocorrer 35 a 36 horas após esta medicação!

  • Folículo aspiração

Como dissemos, 36 horas depois da última injeção de hormônio, a mulher é submetida a retirada dos óvulos dos ovários, procedimento conhecido por folículo aspiração ou captação oocitária. O procedimento exige anestesia, conhecida por sedação. Não deixa de ser uma anestesia geral, já que a mulher dorme profundamente; mas não tem necessidade de ser entubada (respirar com ajuda de aparelhos) como nas cirurgias maiores. Como tem anestesia é obrigatório o jejum de 8 horas no mínimo! Não pode beber nem água! Deve se suspende medicamentos anticoagulantes como AAS. Outros medicamentos de uso contínuo como anti hipertensivos, normalmente devem ser mantidos, e engolidos com a menor quantidade de água. SEMPRE fale com seu médico sobre os medicamentos que está tomando, só ele pode definir o que deve ser mantido ou suspendido na véspera da folículo aspiração! Lembre-se também, no dia do procedimento,  de relatar tudo que está tomando para o anestesista que irá fazer sua anestesia. Não esqueça de contar nada! Doenças de base, medicamentos etc…  Na folículo aspiração, é feito um ultrassom transvaginal, só que acoplada a sonda transvaginal tem uma agulha que irá atravessar a parede da vagina e perfurar os ovários para se chegar aos folículos. Uma vez a agulha  dentro do ovário, ela é introduzida em cada folículo, e ai o líquido dentro de cada folículo é aspirado por uma bomba de aspiração e o líquido obtido é enviado para o laboratório. Aspira se todos os folículos de cada um dos ovários. Ao término da folículo aspiração, se avalia a parede da vagina se está sangrando e se faz uma revisão da pelve por ultrassom para ver se nenhum dos ovários ficou sangrando para dentro da barriga. Os furos da agulha nos ovários têm que parar de sangrar sozinhos! Não tem o que o médico possa fazer para eles pararem. São furos pequenos, e é o sistema de coagulação da paciente que tem que fazer parar de sangrar! As raríssimas vezes que isso não acontece, a mulher as vezes tem que ser submetida a cirurgia em hospital para dar ponto no ovário! Mas fique tranquila pois isso é uma exceção! É muito raro isso acontecer. Por isso antes da folículo aspiração verificamos o coagulograma da paciente, para verificar se o sistema de coagulação está funcionando adequadamente.

 

Terminada a aspiração dos folículos a mulher fica na clínica em observação por mais uma hora e daí ela pode ir para casa, ficar de repouso acompanhada por um adulto.

 

Nos dias que se seguem, a paciente deverá ser medicada com progesterona se caso ela for transferir embriões no mesmo ciclo da folículo aspiração;

  • E o meu marido ?

Assim que termina a folículo aspiração, sendo encontrado óvulos, o companheiro da paciente deverá fazer a coleta do sêmen por masturbação. Em alguns casos específicos, quando o homem não tem espermatozoides no sêmen ejaculado, já fica predefinido a necessidade da coleta alternativa dos espermatozoides por microcirurgia nos testículos ou epidídimo.

  1. Assim que o laboratório tem posse dos óvulos e dos espermatozoides, ambos serão manuseados conforme a técnica indicada FIV, ICSI, SuperICSI, conforme já explicado anteriormente em parte específica do site.
  2. De 3 a 5 dias depois da folículo aspiração, será agendada a transferência embrionária. Neste dia, não é necessário jejum. Pelo contrário, orientamos a mulher a tomar 22 copos cheios de água antes de ir para a clínica. A transferência de embriões é muito simples e indolor. È como um exame ginecológico de rotina. Coloca-se o espéculo, lava se o colo com soro e meio de cultura e daí se passa um primeiro cateter (tubinho bem fino) pelo colo do útero até que o cateter  chegue dentro do útero, o que é acompanhado por ultrassom feito pela barriga (por isso que precisa tomar água para encher a bexiga e o médico conseguir enxergar bem o cateter dentro do útero). Assim que este primeiro cateter estiver no lugar certo, o embriologista monta um segundo cateter que já vai estar com os embriões dentro. A transferência de embriões é sempre muito legal, pois o casal pode ver os embriões pela televisão, que fica acoplada a uma câmera do microscópio! Sempre me emociona! Bom este cateter com os embriões irá passar por dentro do primeiro que já está colocado adequadamente dentro do útero. E aí os embriões são depositados a 1 cm do fundo do útero, no endométrio! A mulher fica em repouso por 30 minutos após a transferência dos embriões, e depois pode ir para casa. No dia pedimos que fique quietinha em cas, Mas no dia seguinte pode ir trabalhar, mas sem esforço físico!
  • Agora é só torcer !

 

Depois de 12 dias da transferência dos embriões, o casal faz o BhCG, teste de gravidez……Como o tratamento não garante gravidez, e a taxa de sucesso varia conforme a idade da mulher, nos resta somente torcer para dar positivo!

 

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